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Aves apreendidas são soltas em Queimadas.

Por Alean Rodrigues
Jornal A Tarde - 13/04/2007, página 11
Salvador, Bahia.

Fazenda Morrinhos, há 17 anos área de preservação ambiental autorizada pelo Ibama; foi o local escolhido pelos biólogos para projeto piloto.

Cento e cinquenta pássaros silvestres de 15 espécies, entre elas azulão, canário-da-terra, cardeal, curió, chorão e pintassilgo-baianinho (em extinção), estão sendo devolvidos para a natureza. O local escolhido para a soltura dos animais foi a Fazenda Morrinhos, no município de Queimadas (a 300 km de Salvador), que há 17 anos é uma área de preservação ambiental autorizada pelo Ibama.

A soltura está ocorrendo gradativamente para que os pássaros reconheçam o habitat. De acordo com a bióloga Aline Borges, do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), as aves foram apreendidas em feiras livres de Salvador e, desde janeiro, estavam sendo tratadas no órgão para tentar recuperar-se das agressões sofridas durante a captura. Após período de quarentena, quando são avaliadas as condições físicas e comportamentais, elas são liberadas pelos biólogos e veterinários para devolução à natureza.

"Estes pássaros são do bioma Caatinga e precisam ser soltos nestes locais para poder ter a chance da sobrevivência. Todos foram marcados com anilhas lacradas e numeradas, para possibilitar o monitoramento posterior à soltura", explica Aline.

A bióloga diz que, caso os animais fossem soltos em Salvador, com bioma Mata Atlântica eles poderiam não sobreviver e até provocar um desequilíbrio ecológico, uma vez que, sem predadores, poderiam se reproduzir em maior quantidade, deixando outras espécies em risco. A soltura dos pássaros está sendo feita dentro de um projeto piloto do Cetras, que prevê a criação de áreas de soltura de animais silvestres. A Fazenda Morinhos é a primeira neste módulo.

"Escolhemos esta fazenda por ter uma caatinga nativa, além de o proprietário ter a preocupação de preservar a natureza, tendo orientado funcionários e população para não realizarem a caça e protegerem o local e os animais", conta a bióloga. Aline alegra-se com a primeira vitória do projeto: Ser reconhecido nacionalmente através do Centro de Pesquisa de Áreas Silvestres (CEMAVE).

O centro enviou as anilhas prateadas que são numeradas e cadastradas nacionalmente. "Os pássaros recebem anilhas e qualquer pesquisador que capturá-los para pesquisas terá acesso a todas as informações sobre eles. Pela numeração, eles chegam ao cadastro nacional do animal", frisa.

Os animais silvestres foram levados para a Fazenda na semana passada. Eles estão em viveiros, onde se alimentam de grãos e sementes facilmente encontrados na natureza local e recebem a visita de várias espécies que sobrevivem na caatinga. "Aqui, eles estão se familizarizando com seu habitat, por isso a soltura é feita de forma gradativa. Deixamos a porta do viveiro aberta e eles saem quando querem, até que todos voltem à natureza", destaca a bióloga, acrescentando que, no período de 1 ano, os técnicos retornam ao local para fazer o monitoramento
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